ORG7754_15BJ_1024x680A estreia da terceira temporada de Outlander bateu recordes nos Estados Unidos com 1,49 milhão de espectadores e um total de 2,09 – contando com as reprises. O primeiro episódio da nova temporada “The Battle Joined”, superou The Wedding que havia registrado 2.04 milhões, na primeira temporada e é considerado um dos melhores episódios pelos fãs da série.

Já perdi a conta de quantas vezes já revi Outlander, principalmente durante o droughtlander, como é conhecido pelos fãs a longa espera entre as temporadas. Outlander é sem dúvida uma série única, ainda que componha ingredientes não tão novos como viagem no tempo.

Os diálogos na série, ainda mais durante a segunda temporada são extremamente dramáticas e significativas, dado o que aconteceu em Wentworth, no final da primeira temporada, seria quase um crime se os roteiristas não aproveitassem toda essa carga emotiva que acompanha os personagens.

Se como protagonista Claire é belamente explorada – de maneira justa –  e levada a vida pela incrível Caitrona Balfe, a segunda temporada sem dúvida é a temporada em que vemos as qualidades do Sam Heughan como ator ao nos apresentar em momentos pontuais – corretamente – a complexidade e profundidade dos sentimentos e demônios que o seu personagem, o Jamie, atravessa e como isso o  influenciou e o transformou.

Um momento em que fica visível o quanto ele se encontra machucado é no episódio Faith – 2×7 – quando a Claire conta que o odiou por não estar junto dela no momento em que a filha deles nasce morta, assim como, por ter lhe quebrado uma promessa – que ela acredita que ele o fez. Nessa cena Heughan praticamente não tem nenhuma fala, mas a dinâmica entre ele e Balfe é tão intensa, que Heughan através do olhar marejado consegue transparecer a dor da cena e do personagem.

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Se antes Jamie era mais leve e risonho, depois de Wenthworth, ele se torna amargo e calado, esses momentos, essa transformação profunda do personagem mais do que percebida através dos gestos e da fala é transmitida pelo olhar. Por esse motivo sinto por não ter sido mais explorado na séries momentos em que mostra a angústia interior do personagem; em minha opinião a escolha foi tanto pela necessidade em selecionar as partes fundamentais para a compreensão da história e talvez para não esquecermos de que a Claire é o objeto central desse universo.

Um dos maiores méritos de Outlander e principalmente da autora da série de lívros Diana Gabaldon – e do produtor da adaptação para a televisão Ron D. Moore – é por nos apresentar uma cultura que poucos de nós temos conhecimento, não por falta de acesso, mas por talvez interesse ou somente por nunca ter visto na televisão algo sobre a Escócia que tenha chamado a atenção antes. Quantos conheciam a Batalha de Culloden ou sobre as revoltas Jacobitas ou sobre clãs escoceses, sobre o tão famoso e ao mesmo tempo desconhecido kilt ou sobre as haighlands?

Outlander Season 2 2016

Esse é um outro ponto muito interessante em Outlander. Gabaldon escolhe como pano de fundo da sua obra um cenário novo e ainda pouco desbravado, não más a tão conhecida Inglaterra com seus reis e rainhas, ou a Itália com suas pinturas e opulência, nem mesmo a chique e complexa França. Dessa vez embarcamos para uma Escócia do Séc. XVII e obscura e extensa, mas tão fascinante que torna de certa forma, incompreensível a quase negação que a série sofre em grandes premiações.

Desde a estreia e até mesmo antes da série ir ao ar em 2014 o turismo na Escócia aumentou consideravelmente. De acordo com o relatório sobre o turismo, divulgado pelo governo escocês, em 2015 houve um acréscimo de 33% no número de visitantes externos, vindos de outras países fora do Reino Unido. Você pode facilmente achar que esses números não tem nada a ver com a série, mas definitivamente influenciaram no interesse.

Diana Gabaldon passeia por diferentes países e momentos históricos de forma linda, sutil e essencial para a história. A primeira temporada nos encontramos na Escócia, com seus clãs e bucólicas paisagens. Já na segunda a França é nosso palco principal, dividindo espaço com as highlands.Nessa terceira temporada nos dividimos entre a Escócia, Estados Unidos e Jamaica. O mais interessante é que cada cada um desses países-cenários, se tornam dentro dessa história, como verdadeiros personagens, influenciando profundamente nas ações de Jamie e Claire, por exemplo.

Claire é definitivamente uma daquelas personagens que te dá um enorme orgulho por ser mulher. Ela é alguém de personalidade forte e um coração enorme e mais do que qualquer uma dessas qualidades anteriormente aqui descrita é completamente humana. É fato que algumas vezes por causa das suas ideias tão assertivas ela acaba entrando em situações que poderiam ser evitadas, no entanto mais uma vez ela se mostra como humana passível de erros como qualquer um de nós.

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Mas ver uma personagem feminina com opiniões fortes e que não tem medo de mostrar do que é capaz nem do que quer é algo que ainda não é visto com a mesma força que em Outlander, por mais que a cada dia surjam novas heroínas na televisão. Claire bate de frente com qualquer um se achar que está certa, ela se faz ser ouvida e em uma época em que ser mulher era colocado como impedimento para uma série de coisas, até mesmo demonstrar suas próprias opiniões, Claire se apresenta como uma verdadeira feminista.

Diana, não tenta nos apresentar personagens perfeitos, preto no branco. Nenhum deles é completamente bom ou mal – exceto Black Jack Randall, aquele dali vai direto pro inferno.

Nenhum personagem em Outlander pode ser colocado em uma única caixinha, cada um deles são como se fossem camaleões e talvez esse seja um dos motivos pelo qual essa série seja tão interessante, eles fazem o que precisam para sobreviver, para atingir seus objetivos e mais do que seus próprios interesses, como suas ações influenciam nos outros.

Sobreviver sem mudar sua essência, acredito que essa seja um dos principais ensinamentos, por assim dizer, que essa belíssima série me passa. Outlander é uma daquelas séries tão complexas narrativamente que pode ser analisada e debatida sob diferentes perspectivas. A qualidade com que temas como o casamento, a religião, a medicina, política, o abuso de poder, o papel da mulher na sociedade e por que não o do homem também?

Outlander é um drama de ficção histórico que assim como seus personagens é tão única e fascinante que não merece ser ligada exclusivamente a um determinado grupo de fãs, nem renegada pelas premiações. Estamos na terceira temporada e de depender dos fãs, os críticos e academias ainda terão muito tempo para reverter isso.

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